Hoje é dia de…
Dia da Abreugrafia
Hoje, ontem
1825: Brasil e Argentina iniciaram a Guerra Cisplatina pela posse da Banda Oriental, atual Uruguai. A região era área estratégica para os dois países por causa do controle da navegação e do comércio na bacia do rio Prata
1833: A Inglaterra toma da Argentina as Ilhas Malvinas
1839: O fotógrafo francês Louis Daguerre tirou a primeira foto da Lua
1905: Descoberta de Elara – satélite de Júpiter
1959: A União Soviética lançou no espaço a primeira nave com destino à Lua
1998: A Microsoft comprou o Hotmail, maior serviço de e-mail grátis da Internet
Município sergipano do dia
Muribeca: nascido com o nome Sítio do Meio, o município de Muribeca, a 72 quilômetros de Aracaju, desenvolveu-se economicamente, mas depois literalmente parou no tempo. A população chegou a dispor de engenho, alambiques e olarias para trabalhar, e até de quatro cinemas para o lazer. A cidade, antes bastante promissora, com a rede ferroviária passando ao lado, hoje encontra-se praticamente sucateada, mas, segundo os otimistas, com uma esperança de recomeço.
As terras de Muribeca (nome indígena que significa mosca inoportuna) faziam parte da área que Cristóvão de Barros, conquistador de Sergipe, deu em 1590 a seu filho, Antônio Cardoso de Barros, através de sesmaria. Elas foram compradas por João Batista de Almeida Figueiredo, onde ele construiu o primeiro prédio do lugar – uma pequena capela. Tempos depois ela deu lugar à Igreja Matriz da cidade, sendo escolhido como padroeiro Nosso Senhor da Misericórdia, louvado todo dia 1º de janeiro.
Mas foram os filhos de João Batista de Almeida, Manoel Almeida Figueiredo e Francisco Xavier de Figueiredo, que tiveram participação mais destacada na povoação de Sítio do Meio, localidade pertencente na época a Propriá.
Em 1897, Sítio do Meio já era um próspero povoado, mas sua evolução político-administrativa só teve início em 7 de novembro de 1921, quando foi criado o distrito de paz ainda com a mesma denominação. Nesse período, a povoação não pertencia mais a Propriá e sim a Aquidabã, que foi desmembrado em 1882 do município propriaense.
O termo judiciário de Muribeca foi criado em 1926, através da lei nº 942, de 8 de outubro, que deveria ter como sede o Povoado Sítio do Meio. Nesse mesmo tempo ele foi também elevado à categoria de vila e passou a pertencer juridicamente a Capela.
Só em 1938 a Vila de Muribeca foi elevada à categoria de cidade, através do decreto-lei nº 69, de 28 de março. O município ficou constituído pelos povoados Visgueiro, Saco das Varas, Pedras, Camará, Arrodiador, Pau Alto, Inês, Cajueiro e Cabeça da Onça. Teve como primeiro prefeito o pároco da cidade, Carlos Camélio Costa, que foi homenageado anos depois com seu nome sendo colocado no fórum da cidade.
Fonte: Cinform Municípios
Frase do dia
“A democracia, mais do que qualquer outro regime, exige o exercício da autoridade”
Saint-Jonh Perse
Palavra do dia
Meigo: eis aí um interessante duplo sentido numa mesma palavra latina quando esta chegou ao Português; porque a palavra “meigo” é exatamente a mesma palavra “mágico”, e também “mago”, vindas do latim clássico mago, estacionando uns séculos no latim vulgar magicu. As artes mágicas costumam ser secretas e esotéricas, mas que a meiguice seja encantadora e produza resultados quase sempre mágicos não é segredo… é pura magia.
Manchetes do dia
Correio de Sergipe: Déda promete governo de mudanças durante a posse
Jornal da Cidade: Déda assume com 77% da confiança dos sergipanos
Poema para o ano novo
Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Hoje é dia de…
Dia internacional da Biodiversidade
Hoje, ontem
1844: Trava-se a Batalha de Quaró, a última da Guerra dos Farrapos, em território uruguaio, na margem direita do Rio Quaraí
1863: Inaugurado o Canal de Suez
1891: Thomas Edison patenteia o rádio
1902: Criação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Brasil
1972: Os 14 sobreviventes do acidente aéreo na Cordilheira dos Andes são resgatados após 71 dias. Membros de um time uruguaio de rúgbi, eles comeram a carne das pessoas mortas para sobreviver
1992: Fernando Collor de Melo renuncia à Presidência da República do Brasil e Itamar Franco assume o cargo definitivamente
1998: Líderes do Khmer Vermelho pedem perdão pelo genocídio que cometeram em Camboja na década de 70, matando mais de 1 milhão de pessoas
Município sergipano do dia
Monte Alegre: as terras que hoje pertencem a Monte Alegre, a 156 quilômetros de Aracaju, já foram de Porto da Folha, cidade colonizada por Tomás Bernardes. Diz a tradição que o primeiro núcleo populacional que deu origem ao povoado foi fundado no final do século XIX, em uma fazenda localizada às margens da estrada que liga Nossa Senhora da Glória a Porto da Folha.
Conforme pesquisas da professora aposentada Valdete Alves Oliveira – que está escrevendo um livro sobre a história da cidade – o local onde iniciou-se a povoação era muito movimentado porque ali se encontravam os viajantes de Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Porto da Folha.
O nome do município foi inspirado numa fazenda de Antônio Machado Cabelê, que se chamava Monte Alegre. Ele se reuniu com outros fazendeiros e decidiram chamar a nova povoação de Monte Alegre, porque no local existia um pequeno monte considerado bonito e alegre. A partir daí sua fazenda passou a se chamar Monte Alegre Velho.
Um desses fazendeiros era um baiano de Jeremoabo, o Januário Costa Farias, que foi o primeiro habitante do município. Ele passou a viver na região depois de ter fugido de sua cidade, obrigado pelo pai, por ser um dos discípulos de Antônio Conselheiro e estar jurado de morte.
Sem ter para onde ir, Januário procurou o frei Doroteu, que o encaminhou para colonizar o sertão, junto com o casal de índios Caboclinho e Maria Ciliata. O casal montou um casebre de taipa, mas um dia a índia bebeu demais, desmaiou e acabou morrendo por insolação.
Segundo a professora Valdete Alves, a fazenda de Januário ficava em um ponto de muito movimento, e o pai dela, João Alves de Lima, que morava em Porto da Folha, começou a ir nesse local para comercializar queijo e tecido. “Meu pai sempre deixava parte de suas mercadorias com Alexandrina da Costa Farias, filha de seu hospedeiro Januário, para que ela vendesse às pessoas de outras propriedades vizinhas”, lembra ela.
O ambulante João Alves Lima fez um convite a Januário para fazer um dia de feira, junto com os fazendeiros José Inácio de Farias, Francisco Alves da Silva, João Joaquim de Santana, Manoel Ferreira de Paula e outros.
Marcado o dia, coube ao jovem João Alves Lima trazer o padre de Porto da Folha para celebrar uma missa e fazer uma festinha. No domingo, 1º de janeiro de 1920, Monte Alegre teve sua primeira feira e até hoje ela acontece aos domingos, sendo uma das maiores da região.
Após alguns meses, foram construídas as primeiras casas residenciais e comerciais. Os primeiros comerciantes a se instalar foram João Alves de Lima, Manoel Ferreira dos Santos, Gustavo Melo, Antônio Joaquim da Silva e José Inácio de Farias. Este último primogênito de Januário e que muito contribuiu para o povoamento da cidade. Doou terrenos de sua fazenda para a construção de casas populares.
Valdete informa que outro filho de Januário, Leandro, ficou com uma fazenda que passou a se chamar Olinda, onde havia um casarão de andar já muito deteriorado onde na parede estava escrito Olinda, dezembro de 1641. Dentro da casa havia vários objetos e um cadáver vestido com roupas vermelhas e sapatos. Não se sabe ao certo, mas acredita-se que esse casarão tenha sido construído por holandeses. Na cidade existe uma lenda que no local ainda se encontra uma botija com um tesouro.
De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, Monte Alegre de Sergipe, localizado no noroeste do Estado, sempre sofreu com longos períodos de estiagem, por isso teve um progresso muito lento. Além da seca, os habitantes da cidade tiveram como grandes inimigos os cangaceiros, liderados por Virgulino Ferreira, o Lampião.
O pouco que o município ainda produzia era tomado pelos bandidos, que quando não eram atendidos, devastavam fazendas matando o gado e muitas vezes assassinando também os proprietários (Veja box abaixo com história sobre o Rei do Cangaço).
Monte Alegre pertenceu ao município de Porto da Folha até 1932, quando então passou a pertencer a Nossa Senhora da Glória. Em 1940, era um pequeno povoado, com menos de 80 casas. Em 25 de novembro de 1953, com o objetivo de incrementar o progresso de algumas regiões, a Lei estadual nº 525-A criou mais 19 municípios, entre os quais estava incluído Monte Alegre de Sergipe. A partir daí o povoado foi elevado à categoria de cidade.
Monte Alegre, antes mesmo de ser instalado, já aparecia como cidade, município, distrito único e termo judiciário da Comarca de Nossa Senhora das Dores, aprovado pela Lei estadual nº 554, de 6 de fevereiro de 1954, para vigorar até 1958. Através dessa lei, o município teve seu território delimitado e desmembrado do de Nossa Senhora da Glória.
O município foi solenemente instalado no dia 31 de janeiro de 1955, quando foi empossado o primeiro prefeito Antônio José dos Santos, e constituída, também, sua primeira Câmara Municipal, composta por cinco vereadores.
A Lei estadual nº 823, de 24 de julho de 1957, veio, porém, alterar a situação judiciária do município, que passou a pertencer à nova Comarca de Nossa Senhora da Glória.
Monte Alegre hoje, além da sede municipal, tem dois povoados (Lagoa do Roçado e Maravilha) e cinco comunidades (Lagoa da Estrada, Lagoa das Areias, Juazeiro, Uruçu e Santo Antonio). As principais festas da cidade são a do padroeiro Sagrado Coração de Jesus, em junho, e a de São João.
A professora Valdete Alves Oliveira lembra que Virgulino Ferreira vendia redes em Pão de Açúcar-AL e que seu pai, João Alves Lima, estudava lá e comprava rede a ele. Algum tempo depois, Virgulino Ferreira já era o conhecido cangaceiro Lampião, estava em Monte Alegre e foi direto à bodega de João Alves, que era a mais sortida da cidade. “Quando ele chegou, viu meu pai deitado em uma rede vendida por ele e começaram a conversar sobre o passado. Lampião contou que tinha virado cangaceiro porque mataram toda sua família. Meu pai encheu as bolsas dos bandidos de alimento e Lampião disse que ninguém podia tocar em meu pai”, lembra ela.
João Alves Lima passou a ser o delegado de Monte Alegre e tinha de apoiar a volante. Um dia, em 1938, ele percebeu que estavam sumindo algumas munições e um amigo seu lhe disse que um soldado estava entregando aos cangaceiros. Ele e outros da volante seguiram o soldado e descobriram que ele entregava a intermediários que levavam para os cangaceiros.
Um dia a volante e o Exército seguiram essas pessoas e descobriram que a munição foi para Propriá, na fazenda de Antônio Caixeiro. De lá embarcou para Piranhas-AL e depois aportou em Angico, onde o bando de Lampião estava escondido. “Por isso que Lampião e seu bando foram mortos”, informa a professora.
Ela diz que pouco antes de Lampião ser encontrado, seu pai prendeu o soldado que estava roubando a munição, mas depois ele mesmo foi preso sem nem saber por que. Passou 45 dias na penitenciária de Aracaju, e quando foi liberado, não podia voltar para Monte Alegre por causa da ameaça dos cangaceiros de que iriam arrancar seus olhos azuis.
João Lima ficou em Nossa Senhora da Glória por algum tempo. “O comércio da nossa família ficou abandonado e minha mãe e a gente passou muita privação. Meu pai, que era bem de vida, morreu pobre”, lamenta Valdete Alves.
Fonte: Cinform Municípios